O motor do 212 Export é o clássico 12 cilindros da Ferrari (60 graus) para as corridas de Sport, e  é uma evolução dos motores anteriores, das quais mantêm as principais características técnicas.
Com uma cilindrada total de 2562,51 cc (68x58.8mm) e uma potência máxima de cerca de 170 CV às 6500 rpm, tinha 3 carburadores Weber 32 DCF ou em algumas versões o 36 DCF. Tinha uma caixa de cinco velocidades.
O motor assenta num châssis com uma distância entre eixos de 2250 mm, constituído por uma estrutura tubular de secção elíptica.
Com este modelo a Ferrari continuou a senda de sucessos dos modelos anteriores: Os irmãos Marzotto ganharam diversa corridas com este automóvel, Vittorio vence a Volta à Sicilia, Giannino ganha a Copa da Toscana e Paolo a Copa de Ouro dos Dolomitas. Outros pilotos acrescentaram outras vitórias a este Ferrari: Gigi Villoresi venceu em Monza a terceira Copa Intereuropeia, enquanto que as equipas Taruffi/Chinetti (#0171EL) e Ascari/Villoresi (#0161EL) dominaram a Carrera Panamericana de 1951, aqui com o modelo Inter.
Como curiosidade de referir que foi ao volante de um Ferrari deste modelo (#0078E) que a, na altura, esperança californiana Phil Hill conseguiu a primeira vitória ao volante de um carro de Maranello, foi em Torrey Pines em 1952.
Este 212 Export existia nas variantes aberta e fechada, com carroçarias várias, de Vignale, Ghia e Touring.
Em Portugal foi meritória a passagem dos 212 Export pelos Circuitos do Porto e de Vila Real em 1951, sempre com pilotos italianos ao volante.


Nº de chassis construídos (1951/1952): Total de 27:
                             
                                                                    Vignale: 14
                                                                    Touring: 10
                                                                     Motto: 2
                                                                     Fontana: 1



Principais características técnicas:


Motor:

V12 a 60º (frente, longitudinal)
Cilindrada: 2562,51 (68x58.8mm)
Cilindrada unitária: 213,54 cc
Taxa de Compressão: 8.4:1
Potência máxima: 165 CV às 7000 rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro, árvores de cames simples
Alimentação: Três carburadores Weber 36DCF
Ignição: Simples, dois distribuidores

Transmissão:

Caixa de cinco velocidades + marcha atrás, montada em bloco com o motor. Tracção às rodas traseiras

Châssis:

Monobloco com tubos de aço de secção elíptica
Suspensão frontal: Rodas independentes, quadriláteros deformáveis, molas de folhas transversais, amortecedores hidráulicos.
Suspensão traseira: Eixo rígido, molas de folhas semi-elípticas e amortecedores hidráulicos.
Travões: Tambor
Reservatório de combustível de 120 litros

Carroçaria:

Em aço. Berlinetta ou Barchetta de dois lugares.

Pneus:

Frente e trás: 5.50 - 16

Dimensões:

Distância entre eixos: 2250 mm
Peso: 850 Kg

Prestações:

Velocidade máxima: 220 Km/h


(Dados baseados em documentos oficiais)



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#0086E

O 212 Export (#0086E) usado por Vittorio Marzotto (Grande Prémio de Portugal) e por Giovanni Bracco (Circuito de Vila Real) era um modelo mais comum para o 212 Export, o Spider Vignale. Este Ferrari foi adquirido em 1951 pela Scuderia Marzotto e dotado de uma carroçaria feita por Fontana de Pádua, num estilo que ficou conhecido na altura por "carretto siciliano"...
Venceu a sua primeira corrida em que participou, a Volta à Sicília a 1 de Abril de 1951 pilotado por Vittorio Marzotto. Ainda em 1951 foi recarroçado por Vignale, como um 212 Export Spyder "standard", e foi nesta configuração que correu no Porto e em Vila Real em 1951. Como curiosidade, refira-se que posteriormente este Ferrari recebeu novamente uma carroçaria diferente, Fontana desenhou-a de novo, mas agora num estilo próximo de uma "Station Wagon", ou como lhe chamavam em Itália, uma "Giardinetta" ou "Familiare", e foi usada como veículo de assistência na Carrera Panamericana de 1951 (Novembro). E não foi esta a última carroçaria deste #0086E, pois Fontana concebeu uma nova, agora novamente numa configuração Spyder, caracterizada por uns flancos côncavos, e prosseguiu desta forma a sua carreira desportiva, tendo a Scuderia Marzotto alugado-o a diversos pilotos italianos. 


1951


II Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio de Portugal
16/17 de Junho
Vittorio Marzotto (nº16)
4º Treinos
2º Corrida
(Foto: Jornal O Volante/Coleção Manuel Taboada)


X Circuito Internacional de Vila Real
14/15 de Julho
Giovanni Bracco (nº14)
7º Treinos
1º Corrida
(Foto: António Cândido Taboada)

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#0070M

O Ferrari 212 Export Berlinetta Vignale (#0070M) que Franco Cornacchia usou no I Grande Prémio de Portugal no Porto, tinha uma carroçaria em tudo idêntica à do 340 America de Casimiro de Oliveira (#0082A). Cornacchia adquiriu-o novo a seis de Abril de 1951 e usou-o durante esse ano em diversas competições, Coppa Inter-Europa, Mil Milhas entre outras. Posteriormente Cornacchia substituiu a carroçaria deste Ferrari por uma Vignale coupé idêntica aos #0178ED e #0190ED, e desta forma correu novamente as Mil Milhas, em equipa com Tinarelli (20º's da geral), a Coppa della Toscana as 24 Horas de Le Mans, juntamente com Moran (desistiram), entre outras corridas.

1951



II Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio de Portugal
16/17 de Junho
Franco Cornacchia (nº29)
7º Treinos
6º Corrida
(Foto: Arquivo ACP)

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#0110E

Um 212 Export Vignale cabriolet, que foi adquirido novo pelo português Jorge da Cunha d'Almeida Araújo, embaixador português em França a 17 de Julho de 1951, e cujo irmão José chegou a rodar nos treinos para o II Circuito de Vila do Conde, a 22 de Setembro de 1951. Trata-se de um 212 com todas as configurações Inter, mas equipado com um chassis curto de 2,25m de distância entre eixos, ao invés dos 2,60m dos Inter (referenciados com o sufixo EL). Posteriormente,  este 212 foi vendido para os Estados Unidos da América, em finais de 1951, nunca voltando a ter um proprietário português, nem a ter qualquer outra utilização em competição. Tinha originalmente cor preta e posto de condução à direita.


1951



II Circuito de Vila do Conde
22 e 23 de Setembro
José d'Almeida Araújo (nº1)
Só efectuou os treinos